RECOLHIMENTO:

UM CAMINHO DE INTERIORIDADE

   O inverno chegou e toda a natureza entrou num retiro profundo. As árvores despiram-se, os animais recolheram-se do frio e boa parte dos pássaros voaram para zona mais quente. Há um silêncio que se abate por toda a parte.

   Também o tempo cinzento e a chuva nos convidam ao recolhimento e à reflexão. Diante do lume das nossas lareiras somos convidados a entrar no profundo do nosso «ser» e procurar cultivar a vida interior. Tudo contribui para entramos neste mistério do advento. Sim! Neste advento esperamos o Senhor.

   Olhamos à nossa volta e damo-nos conta da tristeza e dos medos que se respira por toda a parte. Embora o consumismo, as luzes e as cores nos procurem anestesiar as dificuldades, muitos são os que vivem atingidos pela injustiça. Talvez também nós estejamos assim. Não desesperemos!

   O Senhor, na liturgia, tem-nos convidado à esperança de um novo mundo de justiça que jamais passará. Um mundo onde serão enxugadas todas as nossas lágrimas e se apagarão todos os sinais de sofrimento. Uma luz pequenina vai aumentado de dia para dia, isto é: a verdadeira Luz.

   Veio há dois mil anos, continua a vir em cada homem e em cada tempo para o podermos acolher no amor e na doação de cada situação. Contudo, é no fim dos tempos que virá definitivamente o reino novo de Jesus. Ele não terá fim.

   Por isso a Igreja entra neste recolhido silêncio, preparando-se para o Natal do Senhor. Agora não haverá «glória» na missa nem cores solenes, tudo estará despido de euforia. Apenas a esperança alimentará o nosso canto e a nossa caminhada.

   Como diz a palavra do hino: «Ó Nuvens chovei do alto e apareça a Salvação. Que Deus nos trás escondida em humano coração. Abra-se a terra e germine, em fecunda virgindade, o Salvador prometido».

Maranathá (Vinde Senhor)!

Bom Advento, PG